De mim para você

 

 A “garota Selminha”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(by Wayne Miller)

 

 

Guardo comigo as lembranças do que eu era-a-a-a… Favor, antes de ouvir a música, entrar no clima dos bailes da vida:

Vestido de cetim, decote-canoa de um ombro ao outro, justinho até a cintura marcada por uma faixa de cor diferente com laço e camélia. A saia meio armada respondia pelos efeitos especiais. Escarpins de brilho perolado. Cabelos? Abafa o caso.

Os rapazes (de smoking, se o baile era de formatura, viravam praticamente um Clooney) chegavam pertinho e sussurravam: _ Dança comigo?

Chato só quando eles vinham em nossa direção e tiravam a amiga ao lado. Tóin! Sem falar no “chá de cadeira” quando os astros não eram por nós. Bad days.

A orquestra de metais tocava uma série de sucessos durante 15, 20 minutos, tempo suficiente para rolarem desde antologias como “Selma, que você almeje tudo que deseje!”, até o mantra repetido pelo figuraça que passava o tempo da dança perguntando o que a gente achava disso ou daquilo. E, invariavelmente concordando, mandava com entonação de época: _ Somam dois!

Claro que seu apelido na roda ficou “Somam dois” e claro que morro de saudades dele. Não sei por onde anda, se “cresceu-vos” e multiplicou, se está somando em Brasília…

De qualquer forma, é dele a música “rosa pink” de hoje. Aquela que deixava a pista lotada e a galera ali, somando emoções. Muitas emoções.

 

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=9r2pEdc1_lI[/youtube]

 

                                                      _ Gosta dessa música?

                                                       _ Somam dois!

 

 

14 comentários

  1. Antonio Carlos A. Gama
    07/11/12 at 10:39

     

    D-U-V-I-D-O, DE-Ó-DÓ que a mocinha Selminha tomasse “chá de cadeira” nos bailes e bailinhos da vida….
     
    Devia ser um tal de passar o chapéu para o parceiro dela e lhe roubar a dama.
      
    Alguém se lembra desse costume?
      
    Certa vez, numa daquelas “brincas” caseiras, o chapéu não estava comigo e a pretendida bailava com outro. Apanhei então uma vassoura que estava num canto e dei pra ele, dizendo que era o que estava valendo em lugar do chapéu. O pobre aceitou, embora contrafeito. Quando descobriu a falseta, quis brigar e o ambiente esquentou. Mas então, como parte da rotina, o pistão tira a surdina e põe as coisas no lugar…
     
    Somamos quantos?
      

    Beijocas, Selminha.

    • 07/11/12 at 18:59

      Tomava “chá de cadeira”, sim, Antonio. Meus freios de (ir)mão, Sérgio e Sílvio, por vezes assustavam a rapaziada. Os Rottweiler Brothers rosnavam bonitinho e acabavam atravessando meu samba. 

      Beijocas! 

  2. Brenno
    07/11/12 at 11:09

    O tal “ele” deve estar cantarolando,
    numa mesa de bar:
    “eu hoje me embriagando
    de uísque com guaraná,
    ouvi sua voz murmurando:
    são dois prá lá, dois pra cá…”
      

    • 07/11/12 at 19:07

      Brenno, outro dia encontrei com uma das “amigas ao lado” , relembramos os bailecos, e ela sabia do paradeiro de “Somam dois”. Casou, mora aí em SP, e está somando netos, feliz da vida.  

      Beijocas! 

  3. sonia kahawach
    07/11/12 at 16:18

    Selma, ouvindo v. agora pintou aquela saudade gostosa dos bailinhos, dos flertes como se chamava na época a azaração de agora, das músicas, das besteiras lindas que ouvíamos e que também respondíamos… Only you pra me recordar agora e ainda tenho a acrescentar Smoke Gets in Your Eyes que, na minha memória, era o que seguia a primeira no vinil do conjunto que eu curtia tanto e que idiotamente me desfiz quando me mudei pra cá. Gostoso ler você em suas lembranças. Gostoso lembrar das minhas…. Beijos

    • 07/11/12 at 19:24

      Sonia, querida, como é bom recordar…
      Smoke” me emociona até hoje. E “When I fall in love“? Adoro!

      Beijocas! 

  4. André
    07/11/12 at 16:22

    Gama e Selma, sempre os bailes realizados são de gala, pessoas vestidas elegantemente, vestidos longos, smoking (ou terno e gravata-padrão), decoração impecável, as mesas com o castiçal de vela aceso, bebericando uma espuma fervilhante de champanhe numa taça muito branca de cristal, comendo caviar… é muito bom ler as suas reminiscências que estão ligadas à sua memória afetiva.
    Abraço,
    André

    • 07/11/12 at 19:27

      Anos dourados, André… 
      “Espuma fervilhante de champanhe numa taça muito branca de cristal” é Dick Farney, não é? A melodia me veio num átimo.
      Beijocas! 

    • 07/11/12 at 20:11

      André, seu baile de formatura logo logo tá aí.
      Quero te ver de smoking e com uma taça de champanhe na mão para brindarmos.
      Cheers!

      • André
        08/11/12 at 11:02

        Gama, vc será meu convidado de honra: estaremos juntos lá e quero tirar uma foto junto com vc e te ver de terno e gravata.
        Cheers!
        Selma, anos dourados mesmo… O referido verso foi mesmo tirado de Dick Farney, que pra mim é sinônimo de elegância, sofisticação e bom gosto.
        Abraços,
        André

  5. Antonio Bandeira Correa
    07/11/12 at 16:51

    Selminha:
    A resposta para: –V. gosta dessa música? É: Somam três (talvez mais).
    Recordar é viver. Viva os bailinhos d’outrora!
     

    • 07/11/12 at 19:34

      O melhor é que a adorável criatura dava entonação de novela de época, Antonio Bandeira! Voz grave e articulada: – Somam doisssss!
      Peça raríssima.

      Beijocas! 

  6. Sophie
    08/11/12 at 14:48

     
    Adorei, Selminha, adorei! E fico com desejo de ter vivido esses belos tempos. Queria ter sido adulta nos anos cinquenta. Un beso!

    • 09/11/12 at 14:08

      Soph, aquele “dança comigo?” é que era o charme d’antanho (cruzes, Selminha!)…

      Beijocas! 

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