Aos sessenta, que maldizem de melhor idade,
o homem se senta na cadeira de balanço
e se abalança a fazer um balanço:
o futuro caducou.
Restam-lhe o passado e o presente,
sobretudo aquele de quando somava
menos quarenta, que se não se engana
dá vinte (o que é quase um acinte).
Aos vinte, o homem não se senta
anda por todo lado e fala pelos cotovelos,
sem tempo de ser ouvinte.
Aos sessenta, quando é todo ouvidos,
se sente meio surdo de tudo
e lhe zumbem todos os olvidos.
Até lhe vi sorrindo e declamando seu próprio soneto tão lindo e sentido. “Roubei” e inseri no meu blog. Grande beijo.
Gama, muito bonito esse soneto, gostei muito. Os poetas não envelhecem jamais, pois se fazem eternamente humanos e meninos. Vou aproveitar e colocar abaixo um poema de minha autoria, que escrevi ontem (já publiquei outro hoje no blog da Selma, no post sobre Camões).
Abraço,
André
Um ambiente relaxante
É como o vento de uma brisa:
Penetra suave e arrepiante
Quando sinto que a pele me alisa.
E no jardim vejo a flor
Com que presenteio o amor do meu coração:
Ao ouvir o canto de um condor
Senti sobre mim a máxima proteção.
O sol entrou pela janela
Para brilhar e iluminar a minha vida:
A mulher amada, quando estou junto dela,
Abraço-a bem apertado e lhe dou minha guarida.
Sou amante da natureza
Pelo bem-estar que ela fornece:
É capaz de afastar a tristeza
E a mim toda hora enternece.
Antonio, ADOREI esse Soneto! A vida é um nada, um trisquinho de nada. E, quando a gente vê, puft!..rs..
Un beso!
O zumbir dos olvidos a nos alvoroçar os sentidos…
Belo, poeta.
Beijocas!
Os zumbidos
nos olvidos
às vezes são inaudíveis…
mas são sempre inolvidáveis.