Soneto sessentano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                   Aos sessenta, que maldizem de melhor idade,

                                   o homem se senta na cadeira de balanço

                                   e se abalança a fazer um balanço:

                                   o futuro caducou.

 

                                   Restam-lhe o passado e o presente,

                                   sobretudo aquele de quando somava

                                   menos quarenta, que se não se engana

                                   dá vinte (o que é quase um acinte).

 

                                   Aos vinte, o homem não se senta

                                   anda por todo lado e fala pelos cotovelos,

                                   sem tempo de ser ouvinte.

 

                                   Aos sessenta, quando é todo ouvidos,

                                   se sente meio surdo de tudo

                                   e lhe zumbem todos os olvidos.

 

 

6 comentários

  1. sonia kahawach
    15/11/12 at 15:28

    Até lhe vi sorrindo e declamando seu próprio soneto tão lindo e sentido. “Roubei” e inseri no meu blog. Grande beijo.

  2. André
    15/11/12 at 17:25

    Gama, muito bonito esse soneto, gostei muito. Os poetas não envelhecem jamais, pois se fazem eternamente humanos e meninos. Vou aproveitar e colocar abaixo um poema de minha autoria, que escrevi ontem (já publiquei outro hoje no blog da Selma, no post sobre Camões).
    Abraço,
    André

  3. André
    15/11/12 at 17:28

    Um ambiente relaxante
    É como o vento de uma brisa:
    Penetra suave e arrepiante
    Quando sinto que a pele me alisa.
     
    E no jardim vejo a flor
    Com que presenteio o amor do meu coração:
    Ao ouvir o canto de um condor
    Senti sobre mim a máxima proteção.
     
    O sol entrou pela janela
    Para brilhar e iluminar a minha vida:
    A mulher amada, quando estou junto dela,
    Abraço-a bem apertado e lhe dou minha guarida.
     
    Sou amante da natureza
    Pelo bem-estar que ela fornece:
    É capaz de afastar a tristeza
    E a mim toda hora enternece.
     

  4. Sophie
    16/11/12 at 13:03

     
    Antonio, ADOREI esse Soneto! A vida é um nada, um trisquinho de nada. E, quando a gente vê, puft!..rs..
     
    Un beso!

  5. 17/11/12 at 17:16

    O zumbir dos olvidos a nos alvoroçar os sentidos…
    Belo, poeta.
    Beijocas! 

  6. Brenno
    21/11/12 at 14:20

    Os zumbidos
    nos olvidos
    às vezes são inaudíveis…
    mas são sempre inolvidáveis.

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