Soneto silente

 

 

 

                                   Ouvi dizer um dia que calar é ouro,

                                   sem ter o que dizer me calei, com desdouro.

                                    Não tem valor esse silêncio obsequioso

                                    que é só uma face do espanto tormentoso

 

                                   em face das forças de um mundo enigmático

                                    tirado da cartola maluca de um mágico

                                    que depois se esqueceu de todos os seus truques

                                    e acabou sendo expulso de todas as trupes.

 

                                    Foi esse ilusionista desmemoriado

                                   que me deixou no picadeiro abandonado

                                    com a luz apagada e a banda calada.

 

                                   Por isso não canto, danço, nem falo nada,

                                   em qual canto estará a cabala abstrata

                                   que revela a palavra do abracadabra?

 

 

 

 

 

 

5 comentários

  1. Brenno
    22/11/12 at 12:49

    quem cala.com@sente
    ou outra loucura de qualquer lavra
    non sense? abstrato ritual da mente?
    afinal… pra que serve o abracadabra?

  2. André
    22/11/12 at 21:19

    O abracadabra talvez sirva para sugar nossa imaginação
    Uma mente brilhante que vem para nos dar orientação:
    Me calei para ouvir uma voz experiente
    Que o tempo todo em mim se fez presente.
     
    Ao conversar comigo me deu um conselho
    Que quando eu ouvi fiquei até vermelho:
    Como conseguiu adquirir tanto conhecimento
    E transmitir às pessoas seu velho ensinamento?

  3. André
    22/11/12 at 21:21

    O dom de saber ouvir um amigo é nobre
    Foi concedido para aquelas pessoas vitoriosas
    Que ao passar do tempo ganharam vivência:
    Essas palavras valem mais do que ouro e cobre
    Penetram internamente na gente, sendo gloriosas
    Pois a vida é uma escola onde se ganha experiência.

  4. 22/11/12 at 22:27

    Enquanto não se revela o abracadabra, a poesia é contigo…
    Lindo!
    Beijocas! 

  5. Lúcia Helena Vieira Dibo
    23/11/12 at 7:38

    A palavra não revelada. Secreta. Belo poema! bjs

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